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Mário Quintana

Mário Quintana

poeta · tradutor · cronista

Mário Quintana (1906–1994) nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, e tornou-se um dos poetas mais amados do Brasil. Sua poesia é conhecida pela leveza, pelo humor suave e pela capacidade de encontrar o extraordinário nas coisas mais simples do cotidiano — uma janela, um sonho, o tempo que passa.

Tradutor consagrado de Marcel Proust e outros clássicos, Quintana viveu décadas no lendário Hotel Majestic de Porto Alegre, de onde observava o mundo e o transformava em versos. Sua obra continua sendo descoberta e redescoberta por quem busca poesia que fala diretamente ao coração.

2 poemas

Poema I

Canção

Mário Quintana

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
basta seres tu — distante,
estranha, e mesmo, indiferente.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se compra
nem se vende nem se passa.

Eu te amo porque te amo.
Simplesmente. Sem mais nada.
Nem por ser tu quem me amas,
nem por nada, nem por nada.

— Mário Quintana

Poema II

O Tempo

Mário Quintana

O tempo não para.
Ele vai, ele vem,
ele some, ele volta
— não sei bem.

O que foi não voltará.
O que há de vir
ainda não chegou.
Só existe o agora —
e o agora já passou.

Por isso é que a gente
deve viver depressa,
amar sem medo,
rir à toa,
e deixar o tempo
fazer o que ele tem que fazer.

— Mário Quintana

entre tempos · revista eletrônica
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